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‎Emmanuel Fornazari

Jornalista formado pela UEPG em 2010, foi repórter de esportes e política do Jornal da Manhã de Ponta Grossa, no Paraná. Foi produtor, âncora e colunista da Rádio Sant'Ana e editor-chefe do programa esportivo Show de Bola do SBT. Atualmente, além de diretor geral do Net Esporte Clube, é editor de texto na Rede Massa/TV Guará/SBT. É comentarista esportivo do programa Esporte Emoção, da TV Educativa.

Publicado em 07/05/18 18:09 atualizado em 07/05/18 18:09

O justo ganhou

Volte e meia o clichê ecoa em salas de imprensa pelo Brasil e o mundo afora. "O futebol não é justo, nem sempre o melhor vence". Um clichê verdadeiro, não se pode negar, e que muitas vezes traz graça ao futebol. Porém, se ele voltasse ao protagonismo no último de semana seria uma fanfarrice que só. 

O Joinville veio a Ponta Grossa enfrentar o Operário para manter o técnico Matheus Costa no cargo. Só isto é a justificativa para o futebol apático e retranqueiro. Um time que há três anos estava na Série do Brasileirão, atuou com um dos rivais do Fantasma na Divisão de Acesso. Não foi nem uma nem duas vezes que os 10 atletas de linha estavam atrás da divisória do meio de campo.

Pela qualidade que alguns atletas do JEC possuem, como os defensivos Pierre, Michel, Bruno Aguiar e Emerson, a marcação era até feita com qualidade, dificultando as ações do Operário. Só que jogar bola que é bom, nada. O goleiro Simão do Operário nem suou a camisa. Já o Fantasma propunha o jogo, ia ao ataque, rodava de um lado para o outro, tentando furar o bloqueio tricolor.

O alvinegro melhorou com a saída de Jean Carlo, pena que devido a uma lesão. Quirino conseguiu dar mais amplitude ao setor ofensivo. Fazia companhia a Schumacher, sem deixar de colaborar defensivamente. Robinho cresceu, então, de produção e teve duas oportunidades de marcar na primeira etapa.

No segundo tempo, o alvinegro martelava, mas encontrava dificuldades para quebrar as linhas e infiltrar, ficar na cara do gol, ter uma chance clara, mas o domínio era abissal. Foi aí que a justiça resolveu levantar da poltrona para coroar o ímpeto do time de Vila Oficinas. E o improvável colaborou um pouquinho também.

Schumacher pediu mais dois minutos em campo. Xuxa, estreando ao entrar no segundo tempo, tinha uma falta para bater. O chute não saiu com força, foi a meia altura, e Schumacher estava lá. Não para fazer o gol, mas para dar uma tremenda ajuda. Atrapalhou o goleiro que espalmou na direção do lateral direto Léo, que bateu de esquerda, para marcar.

Na sequência, Dione - que parecia no ostracismo do elenco da Série C - entrou, em pouco tempo deu mais velocidade ao ataque, e sofreu uma falta. O baixinho bateu de longe, direto, e surpreendeu o goleiro do Joinville para marcar o segundo. Quem apostava em gols desses dois na vitória já pode jogar na mega-sena. Condecorações também ao técnico Gerson Gusmão, que mexeu bem nas três substituições. 

Mais do que os três pontos, a vitória traz algo fundamental para um time que já demonstra ter força numa competição que não tem experiência: brio. Não que não tivesse, mas é nessas horas que ele se manifesta aos olhos. Nem sempre dá para ganhar na técnica, no talento. Às vezes tem que saber aproveitar a falta não tão bem batida, os espaços de uma barreira. É preciso saber ganhar, não só saber jogar. A liderança do Operário é consequência disso.